domingo, 3 de fevereiro de 2008

Treinamento do Cão de Esporte - Parte I

Parece evidente que um desportista humano deva passar por um treinamento físico específico em relação a disciplina praticada e com seu nível. Se quisermos que o cão seja performante, a situação é exatamente a mesma para o animal em boa saúde e feliz.

Os grandes princípios do treinamento

Treinamento significa "preparação física, técnico-tática, intelectual e moral do atleta através de exercícios físicos". Aplicando-se essa definição ao cão, descrever-se-á uma seqüência de exercícios físicos solicitados pelo proprietário em um clima que conserve um aspecto lúdico para manter a motivação do cão.

Noções de carga de trabalho
É fundamental a noção de carga de trabalho. Essa carga deve ter uma duração e intensidade suficientes para poder qualificar uma atividade física como sendo um treinamento. Essa carga deve aumentar à medida que o desempenho almejado melhora sem por isso tornar-se extenuante ou penosa para o animal, o qual perderia então toda e qualquer motivação.

Características da carga de trabalho
A carga de trabalho deve ser aplicada de maneira gradual, principalmente para o cão principiante (para um animal já bastante treinado pode-se às vezes acelerar algumas etapas), e de modo contínuo (só a regularidade permitirá a eficácia das várias sessões de treinamento).

Ela deve variar de acordo com o tempo, pois é impossível conservar um cão na mesma ocndição de forma o ano todo. Portanto deverá ser feita uma distinção entre períodos de preparação, de competição e de treinamento. A carga de trabalho também deve variar quanto a seu conteúdo. Para uma mesma disciplina serão solicitados vários fatores físicos do cão, como potência, velocidade, resistência e coordenação. Esses fatores requerem várias adaptações do organismo do cão, com um período de recuperação diferente para cada adaptação. Se um fator solicitar o organismo durante a recuperação de um fator diferente, o primeiro não interferirá na recuperação do segundo; ao contrário, o potencializará e esse sistema de cargas alternadas permite ganhos em termos de tempo e desempenho. Por exemplo, durante a recuperação de uma corrida, pode-se pedir ao cão um exercício muito diferente, tal como um exercício de alongamento muscular.

A sucessão das cargas deve seguir uma ordem precisa dentro de uma mesma sessão; de maneira geral, os exercícios de força explosiva, velocidade e coordenação são realizados no início do treinamento, seguidos pelos exercícios cuja eficácia tem por base uma recuperação incompleta e, por último, pelos exercícios de resistência pura.

(Continua)

Fonte: Enciclopédia do Cão Royal Canin

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Medicina: Displasia Coxofemoral

A Displasia Coxofemoral é um dos maiores e mais comuns problemas ortopédicos na medicina canina. Por acometer diretamente o Sistema Locomotor do cão, a doença compromete sua movimentação e inviabiliza a prática de qualquer tipo de trabalho que exija esforço ósseo-muscular. Cães que desenvolvem Displasia Coxofemoral tornam-se, portanto, inviabilizados de praticar o Agility. Conheça um pouco mais sobre a doença, aprenda a evitar e detectar o mal.

Anatomia: a articulação Coxofemoral é a junção do osso do quadril (Osso Coxal, ou "bacia") com o fêmur. O fêmur possui, em uma de suas extremidades, uma cabeça articular que encaixa-se perfeitamente no acetábulo do quadril, uma espécie de cavidade, ao qual mantém-se fixo pelo Ligamento Redondo (ou Ligamento da Cabeça do Fêmur). A articulação apresenta ainda cartilagens para amortecimento; o líquido sinovial para lubrificação; e uma cápsula articular para proteção. A imagem à seguir mostra o quadril de um cão:


Definição: de origem biomecânica, a Displasia Coxofemoral é um desenvolvimento anormal da articulação, que fica mais frouxa. Há claramente um fator genético envolvido, mas alguns outros fatores podem agravar a doença, tais como obesidade e pisos escorregadios. As lesões englobam deformidade da cabeça do fêmur e do acetábulo, luxações crônicas e degenerações severas. As cartilagens sofrem erosão, assim como a cáspsula, e pode haver rompimento do Ligamento Redondo. Compare o raio-x de um cão normal com o de um cão displásico:

Cão normal

Cão displásico

Sintomas: inicialmente o cão tem um andar anormal, desengonçado, eapresenta uma posição em "x" dos posteriores quando vistos por trás. Conforme o quadro agrava, há recusa em trotar e saltar, e o cão permanece com a perna dura e galopa como uma lebre. Pode ainda mancar e demonstrar dor à manipulação forçada. Com o tempo os sintomas exacerbam-se.

Prevenção: por ser uma doença transmissível hereditariamente, o melhor que se pode fazer é selecionar cautelosamente os pais do seu futuro filhote. Exija, sem medo ou vergonha, que o criador apresente chapas de raio-x dos cães e laudos veterinários comprovando que eles não apresentam displasia em grau algum. Uma vez adquirido o filhote, pode-se detectar a doença com um raio-x tirado após a fase de crescimento (de 12-18 meses). É sempre bom evitar a obesidade, pois peso excessivo força ainda mais a articulação. Cães mantidos em pisos lisos e escorregadios tendem a escorregar, sujeitando a artiuclação a sofrer traumas.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Fisiologia do Esforço Físico - Parte III

Alterações metabólicas

Ao mesmo tempo em que o trabalho muscular influi de modo muito direto sobre a natureza e amplitude da necessidade energética, ele também repercute grandemente sobre o equilíbrio global do organismo.

Energética do esforço
A energia química utilizada na contração muscular provém unicamente de ligações químicas "fosfatos" ricos em energia presentes em uma molécula fundamental, o trifosfato de adenosina, ou ATP. Durante o esforço, as concentrações de ATP da célula serão deprimidas e deverão ser reconstituídas de maneira instantânea enquanto o animal estiver correndo ou realizando seu trabalho. Essa reconstituição faz-se de acordo com três processos cujos respectivos papéis e intensidades dependerão do tipo de esforço físico exigido do cão:

Anaerobiose aláctica: durante um esforço muito breve e muito intenso (alguns segundos), o ATP é reconstituído a partir das reservas do músculo em fosfocreatina, sem haver necessidade de oxigênio (anaerobiose) e sem produção de ácido lático (aláctica).

Anaerobiose láctica:
neste caso, que envolve os esforços intensos com menos de dois minutos de duração (lébreis de corrida, agility, ataque lançado), a energia é reconstituída a partir do glicogênio armazenado no músculo e da glicose sanguínea, sempre sem consumo de oxigênio, porém, desta vez com a produção e acúmulo de um resíduo metabólico, o ácido lático. De maneira muito esquematizada, é quase sempre o acúmulo deste último que leva, por exemplo, ao aparecimento da fadiga muscular e de cãibras.

Aerobiose: trata-se de um metabolismo que supre a necessidade energética do cão assim que o esforço torna-se rsistência (intensidade menor, porém duração de alguns minutos até algumas horas). Em um primeiro momento, a glicose sanguínea é oxidada graças ao oxigênio levado até o músculo pelos glóbulos vermelhos, mas diferentemente do homem, os lipídios irão constituir muito mais rapidamente a principal fonte de energia do cão.

Sem entrarmos em maiores detalhes daquilo que acabaria sendo um tratado de medicina desportiva canina, treinamento e nutrição serão novamente condicionados pelo conhecimento dessses dados metabólicos específicos.

Fonte: Enciclopédia do Cão Royal Canin